Poemas/Textos Selecionados

Alguns textos ou poemas nos inspiram à reflexão sobre os rumos de nossas vidas e acabam virando até poemas de cabeceira, porquê não se consegue apreender e assimilar tudo o que ele quer transmitir em uma só leitura.

Começo logicamente com o meu poema favorito, o de Carlos Drummond de Andrade "Viver não dói", mas existem outros tão belos quanto, como os do poeta gaúcho Mário Quintana.

Os poemas postados abaixo são:

Viver não dói - Carlos Drummond de Andrade
Só existe uma idade para ser feliz - Mário Quintana
Felicidade Realista - Mário Quintana
Instantes - Jorge Luís Borges (escritor e poeta argentino)
Epitáfio - Titãs (compositor Sérgio Brito)


Viver não dói

Definitivo, como tudo o que é simples. 
Nossa dor não advém das coisas vividas, 
mas das coisas que foram sonhadas 
e não se cumpriram.

Por que sofremos tanto por amor?

O certo seria a gente não sofrer, 
apenas agradecer por termos conhecido
uma pessoa tão bacana, que gerou
em nós um sentimento intenso
e que nos fez companhia por um tempo razoável, 
um tempo feliz. 

Sofremos por quê?

Porque automaticamente esquecemos 
o que foi desfrutado e passamos a sofrer
pelas nossas projeções irrealizadas,
por todas as cidades que gostaríamos 
de ter conhecido ao lado do nosso amor 
e não conhecemos,
por todos os filhos que 
gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,
por todos os shows e livros e silêncios
que gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, 
pela eternidade. 

Sofremos não porque
nosso trabalho é desgastante e paga pouco, 
mas por todas as horas livres
que deixamos de ter para ir ao cinema, 
para conversar com um amigo, 
para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe 
é impaciente conosco,
mas por todos os momentos em que
poderíamos estar confidenciando a ela
nossas mais profundas angústias 
se ela estivesse interessada 
em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu,
mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos, 
mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós, 
impedindo assim que mil aventuras 
nos aconteçam, 
todas aquelas com as quais sonhamos e 
nunca chegamos a experimentar.

Como aliviar a dor do que não foi vivido?

A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!!

A cada dia que vivo, 
mais me convenço de que o 
desperdício da vida 
está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,

na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.

O sofrimento é opcional.

Carlos Drummond de Andrade


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Só existe uma idade para ser feliz

Existe somente uma idade pra gente ser feliz, somente uma época na vida de cada pessoa em que é possível sonhar e fazer planos e ter energia o bastante para realizá-las a despeito de todas as dificuldades e obstáculos.

Uma só idade para a gente se encantar com a vida e viver apaixonadamente e desfrutar tudo com toda intensidade sem medo, nem culpa de sentir prazer.

Fase dourada em que a gente pode criar e recriar a vida, a nossa própria imagem e semelhança e vestir-se com todas as cores, e experimentar todos os sabores, e entregar-se a todos os amores sem preconceito e nem pudor.

Tempo de entusiasmo e coragem, em que todo desafio é mais um convite à luta que a gente enfrenta com toda a disposição, de tentar algo novo, de novo e de novo, e quantas vezes for preciso.

Essa fase tão fugaz na vida da gente, chama-se PRESENTE e tem a duração do instante que passa.

Mário Quintana
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Felicidade Realista

A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, 
mas nossos desejos são ainda mais complexos. 

Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser 
magérrimos, sarados, irresistíveis. 

Dinheiro? 
Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: 
queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas. 

E quanto ao amor? 
Ah, o amor... 
não basta termos alguém com quem podemos 
conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. 

Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. 

Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, 
queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, 
queremos sexo selvagem e diário, 
queremos ser felizes assim e não de outro jeito. 

É o que dá ver tanta televisão. 

Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. 
Ter um parceiro constante, pode ou não, ser sinônimo de felicidade. 

Você pode ser feliz solteiro, 
feliz com uns romances ocasionais, 
feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. 

Não existe amor minúsculo, principalmente 
quando se trata de amor-próprio. 

Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. 
Não perder tempo juntando, juntando, juntando. 
Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. 

E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade. 

Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. 

Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, 
amar sem almejar o eterno. 

Olhe para o relógio: hora de acordar. 
É importante pensar-se ao extremo, 
buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz mas sem exigir-se desumanamente. 

A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. 
Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. 

Se a meta está alta demais, reduza-a. 
Se você não está de acordo com as regras, demita-se. 
Invente seu próprio jogo. 

Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. 

Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração. 
Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade. 


Mário Quintana
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Instantes.


Se eu pudesse novamente viver a minha vida,
na próxima trataria de cometer mais erros.Não tentaria ser tão perfeito,relaxaria mais, seria mais tolo do que tenho sido.
Na verdade, bem poucas coisas levaria a sério.Seria menos higiênico. Correria mais riscos,viajaria mais, contemplaria mais entardeceres,subiria mais montanhas, nadaria mais rios.

Iria a mais lugares onde nunca fui,tomaria mais sorvetes e menos lentilha,teria mais problemas reais
e menos problemas imaginários.
Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensatae profundamente cada minuto de sua vida;claro que tive momentos de alegria.Mas se eu pudesse voltar a viver trataria somentede ter bons momentos.
Porque se não sabem, disso é feita a vida, só de momentos;não percam o agora.

Eu era um daqueles que nunca iaa parte alguma sem um termômetro,uma bolsa de água quente, um guarda-chuva e um pára-quedas e,se voltasse a viver, viajaria mais leve.
Se eu pudesse voltar a viver,começaria a andar descalço no começo da primaverae continuaria assim até o fim do outono.

Daria mais voltas na minha rua,contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças,se tivesse outra vez uma vida pela frente.Mas, já viram, tenho 85 anos e estou morrendo"

Jorge Luís Borges (escritor e poeta argentino)
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Epitáfio


Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais
E até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer

Queria ter aceitado
as pessoas como elas são
Cada um sabe a alegria
E a dor que traz no coração

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...

Devia ter complicado menos
Ter trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos
Ter morrido de amor

Queria ter aceitado
A vida como ela é
A cada um cabe alegrias
E a tristeza que vier...

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...

Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr

Titãs (compositor Sérgio Brito)

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